domingo, 24 de setembro de 2017

Notebooks historia PT. II


1981: percebendo o crescimento do mercado de máquinas pesoais, a IBM lançou o IBM 5150; apesar de ser da mesma família do IBM 5100, lançado em 1975, o 5150 tinha profundas diferenças, como a utilização de um microprocessador comercial, o Intel 8088, e um sistema operacional novo, o DOS (ler mais abaixo). Graças à grande campanha de marketing da IBM, o modelo tornou-se conhecido como IBM PC (Personal Computer); a partir do sucesso do modelo, o termo PC passou a designar todos os computadores de uso pessoal.
Pressionada pelo sucesso da Apple, TRS e Commodore, e percebendo que o modelo 5100 não poderia atingir preços competitivos, a IBM usou uma estratégia diferente para o projeto do PC; em vez de desenvolver o projeto internamente, a empresa resolveu montar a máquina utilizando produtos comercialmente disponíveis de diferentes fabricantes. A IBM cometeu dois enormes erros de avaliação. Àquela altura, a IBM era uma das maiores empresas do mundo, e não temia concorrência; a empresa disponibizou a arquitetura da máquina, para que os fabricantes de periféricos projetassem dispositivos compatíveis. A IBM entendia também que não havia motivos para despender esforços no desenvolvimento de um sistema operacional próprio; a companhia apenas preocupou-se em desenvolver e patentear o BIOS (Basic Input-Output Software), um software básico que controla o carregamento posterior do sistema operacional. 
Utilizando o prestígio da marca IBM associado a grandes distribuidores como a Sears e a Computerland, logo o IBM tornou-se um sucesso. Isso logo atraiu outras empresas que, se não podiam competir com a IBM no ramo de mainframes, podiam competir no ramo de máquinas pessoais. O BIOS da IBM passou por engenharia reversa, e logo outras versões, que não infringiam a patente da IBM, estavam no mercado. Já em 1982, a Columbia Data Products(CDP) lançava sua versão do PC; em 1993, seria a vez da Compaq (na década de 1990, a Compaq tornou-se a maior vendedora de PCs no mundo; posteriormente, a Compaq foi comprada pela HP).
Por achar que não valia a pena desenvolver um sistema operacional para o PC, a IBM resolveu contratar a tarefa junto a uma então pequena empresa, chamada Microsoft. A Microsoft, por sua vez, também terceirizou a tarefa: contactou uma empresa chamada Seattle Computer Products e comprou, por US$ 75.000, os direitos sobre um sistema operacional chamado QDOs (o autor do QDOs foi um programador chamado Tim Paterson); o QDOs foi licenciado à IBM, que o renomeou para PC-DOS. Logo a seguir, quando a CDP começou a produzir clones do IBM PC, a Microsoft vendeu-lhe a licença, que ela já rebatizara de MS-DOS. A partir daí, com a explosão dos PCs, a Microsoft (e suas versões de MS-DOS e Windows) tornou-se a maior empresa de tecnologia do mundo.

1981: Adam Osborne, que comandava uma editora de livros técnicos, lançou o que hoje se considera o primeiro computador portátil da História: o Osborne Portable Computer, ou Osborne 1.
Pesava 12 kg, tinha uma tela de 5 polegadas, e custava US$ 1795. O objetivo de Osborne (que ele atingiu) era construir uma máquina que coubesse debaixo do assento de um avião.
A máquina de Osborne teve boas vendas (aproximadamente 10 mil unidades por mês) enquanto foi monopolista. Com a entrada de competidores no mercado, a Osborne computadores foi à falência em 1983.

1982: A Compaq apresentou o primeiro computador portátil compatível com o IBM PC. O próprio nome da empresa deriva do inglês Compact, compacto em português, uma referência ao pequeno tamanho das máquinas. 
O Compaq Portable tinha um clock de CPU de 4.77 MHz, memória RAM de 128 K, floppy disk de 320 k, e um monitor CRT de 9 polegadas. Pesava 12.5 kg, e tal como o Osborne 1, era construído na forma de uma maleta, com o teclado adaptado na parte interna da tampa. Apesar do alto custo (US$ 3.590), sua maior capacidade e, principalmente, sua total compatibilidade com o PC (a Compaq investiu US$ 1 milhão para fazer engenharia reversa do BM BIOS e pagou licença à Microsoft pelo MS-DOS) tornaram o modelo um grande sucesso. Também graças à compatibilidade, a Compaq tornou-se a maior produtora de clones do IBM PC, e em alguns anos tornou-se a maior produtora de desktops no mundo; há alguns anos, quando a concorrência já havia minado a liderança da Compaq, ela foi adquirida pela HP.

1982: a empresa japonesa Epson lançou o modelo Epson HX-20, que foi o primeiro modelo com dimensões de um notebook (caderno, em inglês); veja anúncio de lançamento do Epson HX-20 em uma revista inglesa de outubro de 1982.
O HX-20 tinha, aproximadamente, as dimensões de uma folha A4 (30 cm x 21 cm) e pesava ao redor de 1.6 kg. Tinha 16 kB de RAM (expandíveis), um monitor LCD de 120 x 32 pixels (menor do que os visores dos telefones celulares atuais), uma pequena impressora e um drive de fitas mini-cassete.
O revolucionário HX-20 marcou a entrada das empresas japonesas no mercado de notebooks. Além da própria Epson, logo outras empresas lançaram modelos, como a Kyocera, a Fujitsu, a Sony, a NEC e a Toshiba, entre outras.
Em 1983, a Kyocera apresenta uma evolução do HX-20: o TRS-80 Modelo 100; a Kyocera vendeu o projeto para a Radio Shack, que o distribuiu com grande sucesso nos Estados Unidos. O Modelo 100 tinha aproximadamente as mesmas dimensões do HX-20, mas a impressora e o drive de fita foram removidos para dar espaço a uma tela de LCD maior (260 por 64 pixels).

A partir daí, a concorrência entre americanos, japoneses e europeus levou a um rápido desenvolvimento dos notebooks.

1984: a IBM lança seu primeiro portátil, o IBM 5155; as dimensões eram similares às do Osborne 1, mas o 5155 tinha impressionantes (para a época) 256 kB de RAM.

1985: a Radio Shack lança o modelo TRS-80 Modelo 200; esse foi o primeiro notebook dobrável como um caderno, com o monitor ocupando uma das metades.

1988: a NEC lançou o modelo Nec Ultralite. A NEC estava na verdade desenvolvendo um portátil que provesse mobilidade aos seus engenheiros que trabalhavam nas linhas de montagem de PABX; quando os engenheiros de computação perceberam que podiam colocar MS-DOS aos portáteis, estava criado o Ultralite. A NEC fez uma grande campanha de lançamento, pouco antes da COMDEX 1988; pela primeira vez, utilizou-se o termo notebook para designar essas pequenas máquinas portáteis (até então, o termo era laptop).

1989: a Apple lança o Macintosh Portable, seu primeiro modelo portátil.

1990: a Compaq lança o modelo SLT/286. Além de evoluir do microprocessador 8086 para o 286, esse modelo foi a primeiro a contar com tela VGA (até então, todas as telas eram monocromáticas, fossem verde, laranja ou azul).

1992: a IBM lança sua linha Thinkpad, com os modelos 700 e 700C. Essas máquinas já vinham com Windows 3.1, processador 486 de 50 MHz, disco rígido de 120 MB, 4 MB de RAM (expansíveis até 16 MB). O modelo 700C foi a primeira máquina a apresentar tela com tecnologia TFT. Outra inovação desses modelos foi apresentar um pequeno ponteiro (trackpoint) no meio do teclado, em substituição ao mouse. 

1994: o ThinkPad 755CD foi o primeiro notebook a vir com drive de CD-ROM; em 1997, o ThinkPad 770 seria o primeiro a vir com drive de DVD-ROM. Em 2005, toda a linha de PCs da IBM, inclusive a série Thinkpad, foi adquirida pela Lenovo.

1990: a evolução dos notebooks passou a acompanhar de perto a evolução dos desktops. Os crescentes ganhos em desempenho de CPU e o preço declinante das memórias (incluindo as de vídeo) são rapidamente repassados para os portáteis. Periféricos (gravadores de CD/DVD, dispositivos USB, etc) e aplicativos (especialmente para conexão em rede e à internet) para notebooks são tão comuns como para desktops.
Nos dias atuais, com o aumento do desempenho e da conectividade, diversos notebooks se propõem a substituírem completamente a estação de trabalho.

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